A economia da atenção faz parte da sua rotina, mesmo que você nunca tenha ouvido esse termo antes.

Pense na seguinte situação: você pega o celular só para responder uma mensagem. Alguns minutos depois, já assistiu a três vídeos, leu uma notícia, viu uma propaganda, abriu um link enviado por um amigo e descobriu um produto que nem estava procurando. E quando percebe, o objetivo inicial ficou para trás.

Isso tudo parece familiar, né? Pois saiba que não é coincidência.

Vivemos em um cenário em que informação não falta. Pelo contrário, ela aparece o tempo todo, em diferentes formatos, plataformas e dispositivos. E o Brasil é exemplo disso: dados do relatório Digital 2026, produzido pela DataReportal, mostram que 86,9% da população brasileira utiliza a internet diariamente. Agora imagine a quantidade de informações, vídeos, anúncios e publicações que circulam a cada instante nesse contexto.

—  Mas Letra A, se existe tanto conteúdo disponível, o que realmente está em disputa?

— Essa é fácil, a nossa atenção!

É dessa lógica que nasce a economia da atenção. Em um ambiente onde marcas, redes sociais, veículos de comunicação e criadores de conteúdo competem por alguns segundos do nosso interesse, conseguir interromper o scroll virou um dos maiores desafios da comunicação.

Quer saber mais? Vem com a gente!

O que é economia da atenção

O conceito de economia da atenção foi desenvolvido na década de 1970 pelo economista, psicólogo e cientista político Herbert Simon. Na época, ele já defendia uma ideia que continua mais atual do que nunca: 

💡 Quando existe informação em excesso, o recurso realmente escasso deixa de ser o conteúdo e passa a ser a atenção das pessoas. 

Para facilitar, pense em um supermercado. Existem dezenas de marcas vendendo praticamente o mesmo produto, mas algumas conseguem chamar mais atenção do que outras pela embalagem, pela posição na prateleira ou pela promoção. 

Na internet acontece algo parecido. Todos os dias, milhares de vídeos, notícias, anúncios e publicações disputam espaço na sua tela. Mas nem tudo consegue ser percebido.

É por isso que a economia da atenção não trata apenas da produção de conteúdo. Ela parte da ideia de que a informação é abundante, enquanto atenção e tempo são recursos limitados. Afinal, ninguém consegue consumir tudo o que é publicado diariamente.

No ambiente digital, essa disputa se torna ainda mais intensa. Redes sociais, plataformas de streaming, sites de notícias e lojas virtuais utilizam algoritmos para recomendar conteúdos com base nos interesses de cada usuário. E quanto mais tempo você permanece navegando, maiores são as oportunidades de interação, consumo e exposição a anúncios.

economia da atenção

No fim das contas, o valor deixou de estar apenas em produzir ou distribuir informação. Hoje, quem consegue capturar e manter a atenção das pessoas também conquista espaço e influência. Com isso, vale a reflexão:

💭 Quando escolhemos comprar um produto, assistir a um vídeo ou ler uma notícia, estamos fazendo uma escolha totalmente consciente ou apenas respondendo ao estímulo que conseguiu capturar nossa atenção primeiro?

O papel dos algoritmos nessa disputa

— Então como é possível ter uma infinidade de conteúdos disponíveis disputando a atenção do consumidor em um mesmo espaço?

— Porque esse é o papel dos algoritmos.

De forma simples, os algoritmos são conjuntos de regras e cálculos que organizam as informações nas plataformas digitais. Ou seja, em vez de mostrar o mesmo conteúdo para todo mundo, as redes sociais, os mecanismos de busca e serviços de streaming analisam comportamentos para decidir o que cada usuário provavelmente vai querer ver.

É por isso que dois perfis diferentes podem abrir a mesma rede social e encontrar feeds completamente distintos.

Curtidas, comentários, tempo de visualização, compartilhamentos e até o tempo que você passa olhando para uma publicação ajudam a alimentar esse sistema. A partir dessas informações, os algoritmos passam a recomendar conteúdos semelhantes, tornando a experiência cada vez mais personalizada.

Além da personalização, as plataformas utilizam notificações, sugestões de novos conteúdos e formatos de consumo rápido para incentivar que o usuário permaneça conectado por mais tempo. Quanto maior o tempo de permanência e o nível de engajamento, maior tende a ser o retorno para essas empresas.

Mas essa lógica também tem outro efeito: ela influencia aquilo que vemos e, consequentemente, aquilo que deixamos de ver.

Quando os algoritmos priorizam determinados assuntos, conteúdos ou criadores, eles ajudam a definir o que ganha visibilidade no ambiente digital. Aos poucos, passamos a acreditar que certos temas são mais importantes ou populares simplesmente porque aparecem com mais frequência na nossa tela.

Isso não significa que os algoritmos “controlam” nossas escolhas. Mas eles participam ativamente da construção daquilo que desperta nosso interesse, moldando parte da experiência digital e reforçando, todos os dias, a lógica da economia da atenção.

experiência de marca / economia da atenção

O impacto na comunicação e nas marcas

Até aqui, falamos sobre o comportamento das pessoas. Mas existe outro lado dessa história: o das empresas.

Se a atenção se tornou um recurso escasso, todas as marcas passaram a disputar o mesmo espaço. E essa concorrência vai muito além do mercado em que elas atuam.

💡 Hoje, o maior concorrente de uma marca nem sempre é outra marca. Muitas vezes, é a distração.

Isso ajuda a explicar porque produzir conteúdo em grande volume já não é suficiente. Com a queda do alcance orgânico nas redes sociais e o aumento da quantidade de campanhas e anúncios, conquistar visibilidade se tornou um desafio cada vez maior.

Ao mesmo tempo, a saturação de mensagens faz com que o público seja muito mais seletivo. Por isso, muitos influenciadores e marcas têm recorrido ao storytelling em vídeos publicitários. 

Um exemplo é a Havaianas, que usa esse recurso para transformar anúncios em histórias capazes de prender a atenção do público. Na campanha mais recente, intitulada “Pares Originais do Brasil”, a marca reuniu Bruna Marquezine e João Gomes em uma cena em que um vendedor tenta adivinhar o estilo perfeito para seus clientes e oferece o mesmo par para ambos, reforçando a versatilidade da marca para transitar por todos os estilos e ocasiões.

economia da atenção

Mas existe um detalhe importante: chamar atenção não é a mesma coisa que construir confiança.

No caso da Havaianas, a relação com o público já é consolidada. Mas, para marcas em crescimento, viralizar não basta. Um vídeo, post ou campanha podem alcançar muita gente sem construir credibilidade, fortalecer o posicionamento ou criar vínculo com o público.

Em outras palavras, alcance não garante reputação. Engajamento não garante conexão. E a viralização, por si só, não garante resultados consistentes.

É por isso que a economia da atenção exige uma mudança de perspectiva. 

O que empresas podem aprender com a economia da atenção

E se você leu esse artigo até aqui, já percebeu que a principal lição da economia da atenção é que com tantos estímulos, aparecer deixou de ser suficiente.

Durante muito tempo, muitas estratégias de comunicação seguiram uma lógica simples: quanto mais conteúdo publicado, maiores as chances de alcançar o público. Hoje, esse raciocínio já não funciona da mesma forma.

Em um ambiente onde todos disputam alguns segundos de atenção, qualidade costuma gerar mais resultados do que volume. Afinal, as pessoas não procuram apenas mais informação; elas procuram conteúdos que resolvam dúvidas, agreguem conhecimento, despertem identificação ou ofereçam alguma utilidade.

Isso significa que interromper o consumidor nem sempre é a melhor estratégia. Em muitos casos, ser relevante vale mais do que simplesmente aparecer na tela. Quando uma marca entende o contexto, o momento e as necessidades do seu público, a comunicação deixa de ser uma interrupção e passa a ser uma escolha.

Outro aprendizado importante é que frequência, sozinha, não constrói relacionamento. Publicar todos os dias pode aumentar a visibilidade, mas é a consistência na qualidade que fortalece a confiança ao longo do tempo.

Isso significa produzir conteúdos que façam sentido para quem está do outro lado da tela. Em vez de seguir todas as tendências apenas para ganhar alcance momentâneo, vale perguntar: esse conteúdo realmente conversa com a identidade da marca? Ele entrega algum valor para quem vai consumir?

No fim das contas, a atenção é apenas o começo da jornada. O verdadeiro desafio está em transformar esse primeiro contato em credibilidade, relacionamento e lembrança de marca. E é esse equilíbrio entre visibilidade, contexto e relevância que torna uma estratégia de comunicação mais sustentável.

rebranding / consumo de notícias

Comunicação como estratégia para capturar a atenção

Ao longo deste artigo, vimos que a disputa pela atenção está em todos os lugares. Mas também vimos que conquistar alguns segundos do público é apenas o primeiro passo.

O verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar atenção em relacionamento.

Isto é, mais do que publicar conteúdos com frequência ou acompanhar todas as tendências do momento, comunicar exige compreender como as pessoas consomem informação, quais são seus interesses e de que forma uma marca pode gerar valor em meio ao excesso de estímulos.

O que envolve planejamento, produção de narrativas relevantes, análise do comportamento digital, posicionamento de marca, fortalecimento do branding e gestão de reputação. São estratégias que ajudam empresas a construir presença de forma consistente, sem depender exclusivamente de viralização ou de resultados passageiros.

Na Letra A, acreditamos que uma comunicação eficiente não nasce da necessidade de falar mais alto do que todo mundo. Ela nasce da capacidade de dizer a coisa certa, para as pessoas certas, no momento certo.

Por isso, acompanhamos as transformações do ambiente digital para desenvolver estratégias que unem dados, criatividade e contexto. Afinal, entender a economia da atenção é também compreender que cada interação representa uma oportunidade de fortalecer vínculos, gerar confiança e construir relevância ao longo do tempo.

E já que você chegou até aqui…

Talvez este seja o melhor exemplo de tudo o que conversamos ao longo do artigo. Em meio a tantos estímulos, você dedicou alguns minutos para acompanhar esta leitura até o fim.

Viu só como a atenção pode ser conquistada quando o conteúdo faz sentido?

É exatamente esse tipo de estratégia que desenvolvemos na Letra A. Se a sua marca quer ir além de números de alcance e construir conexões reais com o público, clique aqui e fale agora mesmo com a nossa equipe!

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Sobre o autor: Maria Eduarda Araujo

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Seu Trabalho de Conclusão de Curso, aprovado com nota 10, abordou o uso de estratégias de SEO no jornalismo digital. Durante a graduação, integrou o Movimento Empresa Júnior, atuando no setor comercial, com foco no relacionamento com clientes e no desenvolvimento de projetos. Na Letra A, é analista de Relações Públicas e coordena o serviço de Clipping.

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